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A Aparição de Nossa Senhora de Guadalupe


No ano de 1539 de Nosso Senhor, cerca de vinte anos após a chegada de Hernán Cortés ao México e o início da conquista pela coroa espanhola, os Astecas padeciam dos resquícios dos costumes de

um paganismo assassino e macabro, onde vidas humanas, sobretudo crianças e jovens eram oferecidos em sacrifício aos falsos deuses, cultuados pelos nativos indígenas. A chegada da Santa Igreja Católica, ofereceu àquele povo a Ver

dadeira Fé, retirando-os das trevas do paganismo e da idolatria,convertendo mais de 8 milhões de índios, mesmo em meio às diversas rebeliões por causa da terra, obra que somente o Espirito Santo é capaz de fazer. Em meio a este cenário de consolidação dos povos, ainda sentia-se em poucos corações mais endurecidos, os resquícios do paganismo Asteca, enquanto na alma dos neófitos, o Catecismo fazia florescer aquele ardente amor à Deus e essa mesma graça que trouxe os frutos da conversão, também dará àquela terra uma Imperatriz eterna, a verdadeira protetora e Mãe do povo das Américas. E o relato mais antigo sobre esse episódio, chamado Nican Mopohua, escrito em língua náhuatl nos meados do séc. XVI, conta-se dessa maneira:


E aconteceu, que havia um índio, um pobre homem do povo, de nome Juan Diego, segundo se diz natural de Cuuahtitlán. Um sábado, de manhã cedo, dirigia-se à cidade do México, para ir ao catecismo. Quando passava junto a um pequeno cerro chamado Tepeyac, ouviu cantar no alto do cerro, como se fosse o canto maravilhoso de muitos pássaros. Encantado, aquele homem pensou que estava no paraíso. E, quando o canto acabou de repente, quando se fez silêncio, ouviu que o chamavam de cima do pequeno cerro, dizendo:

“Juanito, Juan Dieguito”.

Muito contente, dirigiu-se ao lugar de onde vinha aquela voz e viu uma nobre Senhora que ali estava em pé e que o chamava para se aproximar d’Ela. Ao chegar à sua presença, ficou encantado com a sua nobreza sobre-humana: as suas vestes eram radiantes como o sol; e a pedra, a falésia onde estava de pé, lançava raios resplandecentes.

Juan Diego prostrou-se e escutou a sua palavra, extremamente agradável, muito amável, como de quem o atraía e estimava muito. Ela disse-lhe:

“Juanito, o mais pequeno dos meus filhos, onde vais?”

E ele respondeu: “Minha Senhora e minha Menina, tenho de ir à tua casa de México Tlatelolco, para aprender as coisas divinas, que nos ensinam os nossos sacerdotes, enviados de Nosso Senhor”.

Depois, a Virgem comunicou a Juan Diego qual era a sua vontade:

“Sabe e compreende bem, tu, o mais pequeno dos meus filhos, que eu sou a sempre Virgem Santa Maria, Mãe do verdadeiro Deus, razão do nosso viver; do Criador dos homens, do que está próximo e perto, o Dono do céu, o Senhor do mundo. Desejo vivamente que me ergam aqui um templo, para nele mostrar e dar todo o meu amor, compaixão, auxílio e amparo; porque na verdade eu sou a vossa Mãe bondosa, tua e de todos vós que viveis unidos nesta terra e dos outros povos, que me amem, que me invoquem, me procurem e confiem em mim; aí escutarei o seu pranto, as suas tristezas, para remediar e curar todas as suas penas, misérias e dores. Hei de agradecer-te e pagar bem , pois vou te fazer-te feliz na Terra e merecerás que recompense o trabalho e fadiga com que vais realizar o que te peço."

Depois Nossa Senhora ordenou-lhe que se apresentasse ao bispo Frei Juan de Zumárraga, para lhe dar a conhecer o seu desejo, e concluiu:

“E está certo de que hei de agradecer-te e pagar bem, pois vou fazer-te feliz na terra e merecerás que recompense o trabalho e fadiga com que vais realizar o que te peço. Olha que ouviste o meu pedido, meu filho mais pequeno; vai e põe nele todo o teu esforço.”

Mas não acreditaram no bom índio quando revelou o que Virgem Maria lhe tinha dito e, muito compungido, voltou ao cerro de Tepeyac para comunicar o fracasso da sua embaixada e pedir à Santíssima Virgem que enviasse alguém mais digno: uma pessoa importante e respeitada, a quem certamente dariam mais crédito. Porém, ouviu esta resposta:

“Ouve, o mais pequeno dos meus filhos, compreende que são muitos os meus servidores e mensageiros a quem posso encarregar de levar a minha mensagem e fazer a minha vontade, mas é absolutamente necessário que seja tu próprio a pedir e a ajudar a que a minha vontade se cumpra por tua mediação.”

Confortado deste modo, Juan Diego reiterou o seu oferecimento de se apresentar ao bispo e assim o fez no dia seguinte. Depois de ter sido interrogado, também desta vez não acreditaram nele. Frei Juan pediu-lhe um sinal inequívoco de que era a Rainha do Céu quem o enviava. Juan Diego apresentou-se novamente à Virgem em Tepeyac para transmitir as suas explicações, e a Senhora prometeu entregar-lhe no dia seguinte um sinal irrefutável.

Mas Juan Diego não voltou lá, porque ao regressar a casa, encontrou o seu tio Juan Bernardino a morrer. Foi procurar um médico, mas já era inútil. Passou esse dia e, ao chegar a noite, o tio pediu-lhe que fosse procurar um sacerdote para se confessar e morrer em paz. Na terça-feira de manhã, Juan Diego pôs-se a caminho e, ao chegar perto do cerro de Tepeyac, decidiu fazer um desvio para evitar encontrar-se com a Senhora. Pensava, na sua ingenuidade, que, se demorasse, não chegaria a tempo de que um sacerdote fosse confortar o seu tio.

Porém, a Virgem Maria saiu-lhe ao encontro e deu-se este encantador diálogo, que Nican Mopohua nos transmitiu com todo o seu frescor: disse-lhe:

“Que se passa, meu filho mais pequeno? Aonde vais?”

Juan Diego, confuso e receoso, devolveu a saudação: “Minha Menina, a mais pequenas das minhas filhas, Senhora, oxalá estejas contente. Como acordaste? Estás bem de saúde, oh minha Senhora e minha Menina?”.

Não estou eu aqui, que sou tua Mãe? Acaso não está sob a minha proteção e amparo?

E explicou humildemente porque se tinha afastado da missão recebida. Depois de ouvir a explicação de Juan Diego, a piedosíssima Virgem Maria respondeu:

“Ouve e entende bem, meu filho mais pequeno, que aquilo que te assusta e aflige não é nada; não se perturbe o teu coração, não temas essa doença nem qualquer outra doença ou angústia. Não estou eu aqui, que sou tua Mãe? Acaso não estás sob a minha proteção e amparo? Não sou eu a tua saúde? Não estás porventura no meu regaço e entre os meus braços? De que mais precisas?”

Nossa Senhora, pediu a Juan Diego que subisse ao monte e enchesse seu poncho com flores. Era inverno. A neve recobria os campos. Naquela época, não nasciam flores naquela região do México. Juan Diego sabia disso. Porém, mesmo assim obedeceu. Chegando ao alto do monte em meio à neve, ele achou uma grande quantidade de flores cheias de grande beleza. Ele apanhou muitas flores, encheu seu poncho e foi levá-las ao Bispo. Estando ele na sala de audiência junto a outras pessoas que aguardavam o Bispo, o Padre auxiliar notou algo diferente na Tilma do índio e o chamou, ao entrar na sala o pobre e inocente índio abriu seu manto que as rosas caíram no chão. Então, para espanto de todos os que estavam na sala, no poncho do índio estava estampada a bela imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, não pintado por mão humana, com técnica totalmente desconhecida naquela época, como o índio tinha revelado ao Bispo. Todos na sala acreditaram, inclusive o bispo. Desse momento em diante, tudo mudou.


O fato causou grande comoção em todo o povo mexicano. Logo foi construída uma grande

Igreja no local indicado por Nossa Senhora e o poncho de Juan Diego com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe impressa foi levado para ser venerado. Guadalupe se tornou o grande Santuário do México, e a devoção a Nossa Senhora de Guadalupe se estendeu por toda América Latina.


O tio de Juan Diego curou-se e viu a Santíssima Virgem que lhe pediu que também fosse ter com o bispo para lhe contar o que tinha visto e de que maneira maravilhosa Ela o tinha curado; e como devia chamar-se a sua bendita imagem, a Sempre Virgem Santa Maria de Guadalupe.



Sobre a Tilma

Estudos realizados sobre a tilma do índio Juan Diego, revelam que a pintura não foi feita por materiais existentes na natureza e nem fabricados pelo homem. Nos olhos de Maria, dentro da Iris e da pupila, vê-se a cena em que o índio abre sua tilma na sala do bispo, com todas as pessoas presentes na sala conforme foi descrito em documentos posteriores. Tem uma família de um lado, o índio e o Bispo do outro. O olho reflete a luz como o olho humano.

Em janeiro de 2001, o engenheiro peruano, José Aste Tonsmman, revelou o resultado da pesquisa de 20 anos, com a ajuda de equipamentos da NASA. Os olhos da imagem ampliados 2,500 vezes, mostram umas 13 pessoas, crianças, mulheres, o Bispo e o próprio índio Juan Diego, no momento da entrega do poncho ao Bispo.

Richard Kuhn, prêmio Nobel de química, descobriu que a imagem não tem corantes e que após 470 anos continuam com seu brilho. O pano do poncho não dura mais do que 20 anos e começa a se desfazer, o que não acontece com o poncho do milagre, que já dura quase 500 anos. Concluíram que o que forma a imagem de Nossa Senhora não é pintura. A fibra do ayate, cacto, são suportaria as tintas da época. Além disso, não existe esboço ou marca de pincel.


Imagem de Nossa Senhora de Guadalupe


Nossa Senhora, em um ato de delicadeza, apareceu como uma índia, morena, vestida como uma índia grávida.

O cabelo solto da Virgem, símbolo asteca para a virgindade.

As mãos, uma mais morena e a outra mais branca, mostram a união de duas raças.

As 46 estrelas do manto mostram exatamente as constelações vistas no céu daquela noite em 1531.

Os raios, que simbolizavam para os astecas o brilho do sol, a maior divindade desta cultura, os quais se intensificam no ventre da imagem, onde Maria carrega o menino.

A lua sob seus pés, que além de evocar a imagem do Apocalipse da Mulher vestida de sol com a lua sob seus pés, evoca o próprio nome do México, que em língua asteca significa “centro da lua”.

Finalmente, o anjo representado com asas de pássaros típicos daquela região do México simboliza a junção entre a terra e o céu.

Os astecas sabiam reconhecer estes sinais e isso foi decisivo para que a conversão daqueles povos acontecesse em massa.


A durabilidade da Tilma

Em 1785, um trabalhador estava limpando a proteção de vidro quando acidentalmente derramou solvente de ácido nítrico sobre uma grande parte da imagem. A imagem e o resto do manto deveria ser quase instantaneamente corroído pelo ácido, mas ao contrário, a imagem foi milagrosamente restaurada, sem intervenção humana, após 30 dias e permanece intacta até hoje, com apenas pequenas manchas e em lugares onde a imagem não está plasmada.

Em 1921, um ativista anticlerical escondeu 29 cargas de dinamite em um vaso de rosas e o pôs diante da imagem dentro da Basílica de Guadalupe. Quando a bomba explodiu, quase tudo, desde o piso até o genuflexório de mármore voou pelos ares. A destruição alcançou inclusive as janelas a 150 metros de distância fora da Catedral e os candelabros de metal que estavam ao lado da Virgem ficaram retorcidos pela força do impacto, além disso uma pesada Cruz de bronze ficou totalmente torcida para trás. Entretanto a imagem e o vidro ao seu redor, que não era a prova de bala, permaneceram totalmente intactas.


Nossa Senhora de Guadalupe, Imperatriz das Américas, rogai por nós!



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